segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A garotinha do papai - Parte II

 Parte I

...

No fim da manhã fui buscá-la e ela ainda estava com aquele biquinho de choro que ela sempre teve. O pai queria ter ido, mas não podia por culpa do trabalho. Assim que cheguei percebi nos olhinhos dela, enquanto procuravam por ele, que ela estava muito mais triste agora porque não poderia correr e pular nas pernas dele e chorar novamente, mesmo que ela ficasse brigando com ele. Eu percebia essas coisas e não me sentia chateada ou com ciúmes. Ele era o pai dela. O pai.

Quando chegamos em casa ela ficou olhando pela porta, esperando-o chegar. Assim que viu seu carro, correu para o sofá e ficou sentada, com um bico imenso e os bracinhos cruzados. Ele entrou e perguntou por ela e eu mostrei onde ela estava. Sentou ao seu lado e perguntou se estava tudo bem. Apenas silêncio. Ele disse “Diga querida, como foi o colégio?”. Ela então o abraçou e começou a chorar, perguntando por que ele havia ido embora. Ele apenas a abraçou de volta. “Desculpa”.

E assim nossa garotinha foi crescendo. Uma das coisas que mais gosto de lembrar é de como ela gostava de ficar dançando nos pés dele. Uma cena que toda família passa e que sempre me alegrava muito. Acho que é porque eu a via tão segura, tão feliz. Os três sorrindo.

E foi assim durante todo o tempo, até que seus pés ficaram grandes demais e os pés do seu pai ficaram cansados demais para que as coisas não se alterassem. Mas ele não estava cansado o bastante no dia em que ela chegou do colégio, agora já com treze anos, chorando porque o garoto que ela gostava não gostava mais dela. Eles ficaram sentados por muito tempo enquanto ela chorava. Ele com os braços em volta dela, dizendo que ficaria tudo bem. E eu o vi chorando pela segunda vez. E eu percebi. Percebi que ele sabia que além de não poder mais estar para sempre ao seu lado para defendê-la, chegaria o dia em que ele também deixaria de ser o homem mais importante da sua vida.

1 comentários:

Melanie Brown disse...

De tão imensamente lindo e sincero chega a ser triste.Conte-nos mais...