O mais engraçado é que foi exatamente quando eu nem estava preocupado se as coisas aconteceriam que elas começaram a acontecer pra valer. Nunca tive nada contra clichês. Sorte minha, já que eles também nunca tiveram nada contra mim. A verdade é que a gente sempre se gostou, afinal, sempre me cairam muito bem. Mas os deixemos de lado, não é sobre eles que quero falar.
É interessante lembrar que durante certo tempo tudo o que eu fazia, e eu não tinha a mínima idéia de onde isso havia vindo, ou de quando havia começado, estava relacionado com uma pungente necessidade de amar. Talvez até ser amado, quem sabe. Pode ser meio ridículo, mas tudo bem. Amar e ser ridículo não são coisas tão distantes assim. Mas, felizmente, tudo muda. Até os maiores desejos que possuímos desaparecem, e isso é apenas o início de uma série de eventos que só termina quando criamos para nós mesmos uma nova razão. Bem, comigo foi assim. Se acontecerá com você eu não sei dizer.
De todas as mudanças, uma das que mais me impressionou foi que quando menos esperava eu desencanei. O que fez eu me sentir ótimo, pois acabei deixando de lado um monte de certezas, passando a ver as coisas por uma melhor perspectiva. O que estou tentando dizer, para que fique mais claro, é que eu andava de saco cheio de um monte de coisas, e de certa forma o que eu mais queria era me tornar indiferente a esse monte de coisas, e ainda de algumas outras mais. E não é que eu consegui?! Pelo menos por algum tempo, e até com certo sucesso. É, com certo sucesso, porque em relação a algumas coisas nunca dá. A solidão, por exemplo, é praticamente impossível ser indiferente a ela, afinal, ela é inerente ao homem, sempre foi. Mas tudo bem, ao invés de brigar, decidi tirar proveito. Já que ela não sairia mesmo, resolvi dar para ela todos os lugares, o que me ajudou a mandar todo o resto dar uma volta, principalmente o Amor, sendo que para este eu entreguei uma recomendação especial de que não precisaria voltar tão cedo. Talvez a gente se encontre em outro lugar.
Não que eu tenha deixado de acreditar nele, não é isso. Eu ainda acredito muito. O problema é que ele não acredita em mim, nunca acreditou. E eu já tenho passado tempo demais dando a mão sem que ele desses a sua de volta. Não que eu ame esperando algo em troca, mas nenhuma vez sequer já chega a ser maldade.








